Quando uma criança recebe a suspeita ou o diagnóstico de refluxo vesicoureteral infantil, é natural que surjam muitas dúvidas na família.
Esse nome costuma aparecer depois de uma infecção urinária com febre, de um ultrassom com alguma alteração nos rins ou nas vias urinárias, ou durante a investigação de uma dilatação identificada na gestação. Nessa hora, perguntas como “isso é grave?”, “meu filho vai precisar de cirurgia?” e “isso pode afetar os rins?” são muito comuns.
Esse tipo de preocupação é compreensível. O termo é técnico, e o assunto costuma envolver medo de infecção urinária e de possível impacto renal. Pior: muitas famílias estão ouvindo tudo isso pela primeira vez.
Neste momento, é importante saber que o refluxo vesicoureteral não significa, por si só, um quadro grave. Em muitos casos, a criança pode ser acompanhada com segurança, desde que a avaliação seja feita de forma individualizada e com atenção ao risco real de repercussão sobre os rins.
As diretrizes mais recentes reforçam essa lógica: a condução deve se basear em estratificação de risco e em indicações seletivas para investigação e tratamento¹. Além disso, outros profissionais de saúde que acompanham as crianças devem estar atentos. Afinal, o refluxo vesicoureteral nem sempre se manifesta de forma única e clara.
Neste texto, você vai entender o que é o refluxo vesicoureteral infantil, por que ele acontece, como costuma ser investigado e em quais situações o acompanhamento com o urologista pediátrico pode fazer diferença. Acompanhe!
O que é refluxo vesicoureteral infantil?
O refluxo vesicoureteral, também chamado de RVU, acontece quando parte da urina faz o caminho contrário dentro do sistema urinário.
Assim, em vez de seguir dos rins para os ureteres, chegar à bexiga e depois ser eliminada pela uretra; a urina retorna da bexiga para os ureteres e, em alguns casos, pode alcançar os rins.
Em condições normais, existe um mecanismo na junção entre o ureter e a bexiga que funciona como uma espécie de válvula natural. Esse mecanismo dificulta o retorno da urina. Quando ele não funciona adequadamente, o refluxo pode ocorrer.
Como o refluxo vesicoureteral se comporta nas crianças?
É importante entender que o refluxo vesicoureteral não se comporta da mesma forma em todas as crianças. Algumas apresentam formas mais leves, com boa chance de melhora espontânea ao longo do crescimento.
Outras, têm refluxo de maior grau, episódios de infecção urinária febril, alterações no ultrassom (como a dilatação dos rins) ou sinais de repercussão renal, o que exige um acompanhamento mais atento.
Hoje, as recomendações mais atualizadas consideram, além da presença do refluxo, o contexto clínico da criança, como:
- ocorrência de ITU (infecção do trato urinário);
- idade dos pequenos;
- exames de imagem;
- presença de disfunção vesical, miccional e intestinal.
Dessa forma, para profissionais que acompanham, esse é um tema importante. Isso porque o refluxo vesicoureteral nem sempre se manifesta de forma evidente. Às vezes, o quadro aparece após uma primeira infecção urinária febril; em outras situações, surge no contexto de hidronefrose pré-natal. Por isso, é preciso reconhecer quais crianças têm maior risco de infecção urinária recorrente, cicatriz renal e necessidade de acompanhamento mais próximo².
Quais são as causas do refluxo vesicoureteral?
Na maioria das crianças, o refluxo vesicoureteral acontece porque o mecanismo que evita o retorno da urina não se formou de maneira completa durante o desenvolvimento do trato urinário.
Isso significa que o trajeto do ureter na bexiga é mais curto do que o esperado, ou que o mecanismo valvar não funciona com eficiência. Assim, quando a bexiga enche ou se contrai durante a micção, parte da urina pode retornar pelo ureter. Assim, uma causa do refluxo vesicoureteral comum é a formação incorreta do sistema.
De forma geral, o refluxo pode ser dividido em dois tipos principais:
- O refluxo vesicoureteral primário é o mais comum e está relacionado à característica anatômica presente desde o nascimento.
- O refluxo vesicoureteral secundário é menos frequente e ocorre quando existe aumento de pressão dentro da bexiga ou dificuldade no esvaziamento urinário.
O segundo caso pode acontecer em situações como obstruções urinárias, alterações neurológicas da bexiga e, com bastante frequência, disfunções miccionais associadas à constipação intestinal.
Esse ponto merece atenção especial, principalmente em crianças maiores.
Em parte dos pacientes, o refluxo não deve ser visto como uma alteração anatômica. Por exemplo, quando a criança segura o xixi por muito tempo, apresenta urgência, escapes, faz manobras de contenção ou convive com intestino preso, a dinâmica vesical pode contribuir para infecção urinária de repetição, persistência do refluxo e pior evolução clínica.
Por isso, tratar a disfunção miccional e intestinal faz parte do cuidado em muitos casos. As diretrizes EAU/ESPU destacam que a disfunção vesical e intestinal é comum em crianças continentes com ITU, com ou sem refluxo, e aumenta o risco de ITU febril e alterações renais em exames funcionais¹.
Refluxo vesicoureteral sempre causa sintomas?
Não. Essa é uma dúvida comum, e a resposta é que nem sempre o refluxo vesicoureteral infantil causa sinais muito evidentes.
Muitas crianças com RVU não apresentam sintomas claros fora dos episódios de infecção urinária, e o diagnóstico acaba surgindo a partir da investigação de um quadro febril ou de um exame de imagem alterado³.
Sem sintomas, o que leva a suspeita de refluxo vesicoureteral infantil?
Na prática, a suspeita do refluxo vesicoureteral costuma surgir em três situações.
A primeira é a infecção urinária com febre em crianças, especialmente em lactentes e pequenas. Nessa faixa etária, a infecção urinária pode se manifestar com sinais pouco específicos, como:
- febre sem foco;
- irritabilidade;
- recusa alimentar;
- vômitos;
- prostração;
- e/ou dificuldade de ganhar peso.
Já nas crianças maiores, pode aparecer ardor para urinar, aumento da frequência urinária, urgência, dor abdominal, dor lombar ou escapes.
A revisão da AAP em Pediatrics in Review destaca justamente que o diagnóstico de ITU na infância continua desafiador porque os sinais podem ser vagos e dependem da idade³.
A segunda situação é a suspeita a partir do ultrassom, inclusive na gestação, quando se observa a hidronefrose fetal ou dilatação do trato urinário.
Importante dizer que nem toda dilatação (seja ou não hidronefrose fetal) significa refluxo. Mas esse é um dos contextos em que a investigação se faz necessária¹.
A terceira é a investigação após infecções urinárias recorrentes, principalmente quando acompanhadas de febre, alterações em exames de imagem ou fatores associados, como disfunção miccional e intestinal⁴.
Importante destacar que muitas crianças evoluem bem, sem repercussões de longo prazo.
A principal preocupação está em casos em que infecções urinárias febris de repetição favorecem a formação de cicatrizes renais e podem comprometer, de forma permanente, parte do funcionamento dos rins.
Além disso, nem toda alteração renal observada decorre da infecção: em parte dos casos, pode haver associação com alterações congênitas do desenvolvimento renal. Por isso, o seguimento pode incluir avaliação de crescimento renal, pressão arterial, proteinúria e função renal ao longo do tempo.
Qual o papel da disfunção miccional e intestinal no refluxo?
Em crianças que já passaram pelo desfralde, o refluxo vesicoureteral e a disfunção miccional/intestinal frequentemente caminham juntos.
Quando a criança posterga a micção, urina com urgência, apresenta escapes, esvazia a bexiga de forma incompleta ou convive com constipação, a bexiga pode funcionar sob condições menos favoráveis. Isso pode facilitar infecção urinária e dificultar a resolução espontânea do refluxo.
Em outras palavras, em parte dos pacientes, o tratamento não se resume a “olhar o ureter”. É preciso cuidar do hábito intestinal e do padrão miccional. Aqui, as diretrizes europeias recomendam tratar a disfunção vesical e intestinal sempre que estiver presente e consideram razoável manter profilaxia antibiótica até sua resolução em casos selecionados¹.
O refluxo vesicoureteral tem diferentes graus?
Sim. O refluxo vesicoureteral grau se apresenta em diferentes escalas de intensidade e é classificado de I a V, conforme a extensão do refluxo e a dilatação provocada no trato urinário.
- No grau I, o refluxo atinge apenas o ureter;
- No grau II, ele chega ao sistema coletor renal, mas sem dilatação;
- No grau III, já existe dilatação leve;
- No grau IV, a dilatação é moderada;
- No grau V, há dilatação importante e alterações mais marcantes dos ureteres e do sistema coletor.
De forma geral, o refluxo de grau 1 e 2 costumam corresponder a formas mais leves, com maior possibilidade de melhora espontânea ao longo do crescimento.
Já os graus 4 e 5 são considerados de alto grau e costumam ter menor chance de regressão espontânea, além de estarem mais associados a episódios de pielonefrite, maior risco de recorrência e maior potencial de repercussão renal.
Ainda assim, o grau do refluxo é apenas uma parte da decisão clínica. As diretrizes atuais recomendam integrar o grau do RVU com idade, histórico de ITU febril, achados ultrassonográficos, cicatriz renal e presença de disfunção vesical e intestinal para orientar a tomada de decisão¹.
Como é feito o diagnóstico de refluxo vesicoureteral infantil?
Quando existe suspeita de refluxo vesicoureteral infantil, a investigação inclui diferentes exames conforme o contexto clínico.
Na maioria das vezes, o primeiro exame de imagem é a ultrassonografia do trato urinário, que ajuda a avaliar rins, ureteres e bexiga. Ela pode identificar dilatação, assimetria renal, espessamento vesical ou outros achados que orientam a investigação.
- Para entender melhor esse passo da avaliação, vale consultar também os 7 exames mais importantes em urologia pediátrica.
Já o exame que confirma o refluxo e permite identificar seu grau é a uretrocistografia miccional.
Nesse exame, a bexiga é preenchida com contraste por um pequeno cateter e as imagens são obtidas durante o enchimento e a micção. É esse estudo que mostra se a urina está retornando e até onde esse retorno vai.
Um ponto importante, tanto para as famílias quanto para colegas de outras especialidades, é que nem toda criança com uma primeira infecção urinária febril precisa fazer uretrocistografia imediatamente.
A tendência é reservar esse exame para contextos selecionados, como ultrassom alterado, infecções febris recorrentes, suspeita de refluxo clinicamente relevante ou outras situações atípicas.
Em casos específicos, a cintilografia renal com DMSA também pode ser útil para avaliar repercussão no parênquima renal, principalmente quando há dúvida sobre cicatriz renal ou pielonefrite prévia.
Quando o tratamento é necessário?
Nem sempre a intervenção é necessária e nem toda criança com refluxo vesicoureteral precisa de cirurgia.
Nas formas mais leves e sem infecção urinária recorrente, o acompanhamento clínico cuidadoso é suficiente. O objetivo do tratamento não é “tratar um exame”, mas preservar a saúde renal da criança ao longo do crescimento¹.
A decisão depende de alguns fatores importantes, como:
- grau do refluxo;
- idade da criança;
- ocorrência de ITU febril;
- presença de cicatriz renal;
- alterações no ultrassom;
- disfunção miccional;
- resposta ao acompanhamento.
De forma geral, as possibilidades incluem observação programada, medidas para reorganizar hábitos miccionais e intestinais, profilaxia antibiótica em casos selecionados e correção cirúrgica quando há maior risco de recorrência, persistência do refluxo com impacto clínico ou falha da estratégia conservadora.
- Para uma visão complementar do manejo, você também pode acessar o conteúdo refluxo vesicoureteral: como identificar e tratar.
As recomendações mais recentes deixam claro que a profilaxia antibiótica contínua não precisa ser usada em todos os pacientes. Ela costuma ser considerada em lactentes, em crianças com refluxo de maior grau, histórico de ITU febril, cicatriz renal ou disfunção vesical e intestinal ainda não controlada.
As diretrizes EAU/ESPU sugerem uma abordagem prática: considerar profilaxia enquanto a disfunção vesical e intestinal persistir, quando ela estiver presente¹.
Quais são as opções de tratamento cirúrgico?
Quando a correção cirúrgica é necessária, existem diferentes abordagens possíveis para o tratamento do refluxo vesicoureteral infantil.
Em casos selecionados, pode ser realizado um tratamento endoscópico, com injeção de material na região da entrada do ureter na bexiga para reforçar o mecanismo antirrefluxo.
Essa opção tem a vantagem de menor tempo cirúrgico, menor necessidade analgésica e menor tempo de internação, embora estudos mostram taxas mais altas de recorrência e de nova intervenção⁵.
Outra possibilidade é o reimplante ureteral, que restabelece um mecanismo mais eficiente para evitar o retorno da urina. Esse procedimento pode ser realizado por via aberta, laparoscópica ou robótica, a depender da anatomia, da indicação clínica, da experiência da equipe e da estrutura disponível.
As diretrizes EAU/ESPU apontam que tanto abordagens laparoscópicas quanto transvesicoscópicas são boas opções em termos de resolução e complicações em centros experientes, e que a via extravesical é a mais usada na cirurgia robótica para reimplante¹.
Na cirurgia robótica, estudos recentes mostram viabilidade, bons resultados e perfil de segurança favorável em grupos selecionados, inclusive em crianças menores, quando o procedimento é realizado por equipes com experiência. Ainda assim, como em qualquer técnica, a indicação deve ser individualizada e inserida no contexto clínico⁶.
Como é o pós-operatório quando a cirurgia é indicada?
Quando a correção cirúrgica para refluxo vesicoureteral infantil é necessária, o pós-operatório costuma ser organizado para que a criança retorne gradualmente à rotina com conforto e segurança. O tempo de recuperação varia conforme a técnica utilizada, a idade da criança e a complexidade do caso.
De modo geral, os pais podem esperar orientação sobre hidratação, controle da dor, padrão das micções e necessidade de reavaliação.
Em alguns casos, pode haver desconforto urinário transitório, aumento da frequência urinária ou discreto sangramento na urina nos primeiros dias, o que costuma ser temporário e acompanhado pela equipe.
O acompanhamento após a cirurgia continua sendo importante porque é ele que permite observar a evolução clínica, monitorar infecções e confirmar que a estratégia escolhida está protegendo os rins no longo prazo⁵.
Palavra da especialista
“Quando falamos em refluxo vesicoureteral infantil, mais do que saber que o refluxo existe, é preciso entender o contexto em que ele aparece. O risco real depende da idade da criança, da presença de infecção urinária febril, do grau do refluxo, da repercussão renal e também de como a bexiga e o intestino estão funcionando.
Em muitas crianças, o acompanhamento cuidadoso é suficiente. Em outras, especialmente quando há infecção urinária de repetição, refluxo de maior grau ou repercussão sobre os rins, é preciso acompanhar mais de perto e individualizar a conduta.
Cada criança tem sua própria história, e é essa visão mais completa que ajuda a definir o melhor caminho para acompanhamento, trazendo mais tranquilidade para a família.”
- Dra. Marilyse Fernandes, Cirurgia Pediátrica (CRM 92676 | RQE 21334)
Quando buscar ajuda médica para refluxo vesicoureteral infantil?
A avaliação com urologista pediátrico é importante quando a criança apresenta infecção urinária com febre, infecções urinárias de repetição, alteração no ultrassom dos rins ou das vias urinárias, hidronefrose identificada no pré-natal, sintomas urinários persistentes após o desfralde ou associação entre queixas urinárias e constipação.
Nessas situações, o acompanhamento especializado ajuda a integrar história clínica, exames e evolução da criança para definir a melhor estratégia de acompanhamento.
Com diagnóstico correto e orientação adequada, é possível observar o desenvolvimento com mais clareza e proteger a saúde renal ao longo da infância.
Esse é o tipo de cuidado que a Dra. Marilyse Fernandes, cirurgia pediátrica (CRM 92676 | RQE 21334) oferece em sua prática em urologia pediátrica: uma condução técnica, cuidadosa e personalizada, priorizando o bem-estar da criança e a segurança da família.
Deseja saber mais sobre refluxo vesicoureteral infantil ou outras condições do trato urinário? Agende a consulta para seu pequeno ou continue acompanhando os conteúdos do site.
Perguntas frequentes (FAQ – refluxo vesicoureteral infantil)
O que causa refluxo vesicoureteral em crianças?
A maioria dos casos de refluxo vesicoureteral em crianças ocorre por uma alteração congênita no mecanismo de válvula entre o ureter e a bexiga. Em outros, pode estar relacionado a aumento de pressão vesical, dificuldade de esvaziamento ou disfunção miccional associada.
Refluxo vesicoureteral pode desaparecer sozinho?
Sim. Muitos casos podem melhorar ou desaparecer com o crescimento da criança. A chance disso acontecer depende do grau do refluxo, da idade e do contexto clínico¹.
Toda criança com refluxo precisa usar antibiótico preventivo?
Não. A profilaxia antibiótica é indicada de forma seletiva, principalmente em situações de maior risco, como lactentes, refluxo de alto grau, ITU febril prévia, cicatriz renal ou disfunção vesical e intestinal ainda ativa¹.
Refluxo vesicoureteral sempre causa infecção urinária?
Não necessariamente. Mas ele pode aumentar o risco de ITU, principalmente quando associado a febre, refluxo de maior grau, disfunção miccional ou alterações do trato urinário¹.
Qual exame confirma o refluxo?
O exame que confirma o diagnóstico e define o grau do refluxo é a uretrocistografia miccional. O ultrassom é muito útil na avaliação inicial, mas não substitui a uretrocistografia quando é preciso confirmar o RVU¹.
Como saber se meu filho tem refluxo vesicoureteral?
A suspeita costuma surgir após infecção urinária com febre ou alterações em exames de imagem. O diagnóstico deve ser sempre traçado por um profissional para definir o protocolo ideal.
Refluxo vesicoureteral é grave?
Depende do grau e da frequência de infecções urinárias. Muitos casos são leves e acompanhados sem complicações.
A cirurgia de refluxo urinário é segura?
Sim. A cirurgia para correção do refluxo vesicoureteral é considerada um procedimento seguro e bem estabelecido na urologia pediátrica, quando indicada corretamente.
Referências científicas
¹: Gnech M, et al. Update and Summary of the European Association of Urology/European Society of Paediatric Urology Paediatric Guidelines on Vesicoureteral Reflux in Children. Eur Urol. 2024;85(5):433-442. DOI: 10.1016/j.eururo.2023.12.005
²: Meena J,et al. Prevalence of Bladder and Bowel Dysfunction in Toilet-Trained Children With Urinary Tract Infection and/or Primary Vesicoureteral Reflux: A Systematic Review and Meta-Analysis. Front Pediatr. 2020 Mar 31;8:84. doi: 10.3389/fped.2020.00084
³: Marsh MC,et al. Urinary Tract Infections in Children. Pediatrics in Review. 2024;45(5):260-270. https://doi.org/10.1542/pir.2023-006017.
⁴: Hari P, Meena J, Kumar M, et al. Evidence-based clinical practice guideline for management of urinary tract infection and primary vesicoureteric reflux. Pediatr Nephrol. 2024;39(5):1639-1668. DOI: 10.1007/s00467-023-06173-9
⁵: Nascimben F, et al. Endoscopic injection vs anti-reflux surgery for moderate- and high-grade vesicoureteral reflux in children: a cost-effectiveness international study. J Robot Surg. 2024. DOI: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39412617
⁶: Abdulfattah S, et al. Robot-assisted Laparoscopic Ureteral Reimplantation in Pre-toilet Trained Children With Vesicoureteral Reflux. Urology. 2025;195:126-131. DOI: 10.1016/j.urology.2024.10.030







